quarta-feira, 22 de junho de 2016

Uma singela homenagem ao querido companheiro, Rafael. 

Santa Margarida 

        I 

Guardo vivo na lembrança
O bairro onde morei
As ruas de chão por onde corri
As brincadeiras que brinquei

Feliz foi minha infância
Cacei passarinhos
Fiz cabana em terrenos baldios
Peguei frutas no quintal vizinho

Comi farofa de tanajuras
Tive carrinho de rolimã
Tomei banho de chuva
Fiz mil travessuras 

Lá me tornei adolescente
Fiz amizades duradouras
Estudei todo o fundamental
Fui namorador inconsequente 

Tudo era colorido
Como flores no jardim do meu quintal... 

Era ainda menino
Quando se tornou elétrica
Foi uma grande festa
O “bendito” progresso estava chegando 

Suas ruas foram revestidas
Ganharam luto oficial
Tudo é de cimento e ferro
Imenso muro irracional 

As crianças vivem presas
Seus pés não tocam a terra
Estão tristes e obesas
Não brincam minhas brincadeiras 

Cadê as pessoas?
Antes enchiam as calçadas e praças
Hoje vivem trancadas em casa
Manipuladas frente à televisão... 

Estamos todos doentes
Morrendo de solidão...
       II 

Guardo vivo na memória
O bairro onde morei
Minha juventude
Os amigos que lá deixei... 

Os sonhos compartilhados
O campinho para jogar bola
As conversas na esquina
As paqueras na escola 

As noites bastante frias
O primeiro beijo na namorada
As fogueirinhas e a viola
As festas de aniversários... 

Santa Margarida
Quantas saudades de outrora... 

Suas ruas largas
Grandes eram suas praças
Esquecida pelo poder público
Partida cidade... 

Bairro dormitório
Senzala dos escravos de agora
Gente trabalhadora
Lançadas à própria sorte 

Pobres sem escolaridade
Vitimas da segregação social
Buscam a tal oportunidade
Numa terra sem sal...

Sonhos de resistência
Conquista da liberdade...
       III 

Lembro com saudades
O lugar onde morei
As brincadeiras de criança
Os amigos que não esquecerei...

Minha casa grande sem beiral
Minha imensa família
Grande mesmo era o quintal...

Quantas histórias para Recordar
A escola pública que estudei
As peladas no final dos dias
A fogueirinha nas noites frias...

A velha viola e as novas cantorias
A turma reunida na mesma esquina
As festas na Paróquia
O grupo jovem em busca da utopia... 

Santa, minha Santa Margarida!
A negra Aparecida te protege e organiza... 

Viva o padre Rafael
Semeador de cidadania
Bendito sejam os frutos
Gestação bendita... 

Novas gerações há de surgir
Só de saber fico feliz...

Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...
22 de junho de 2016.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Muitos estudiosos refutam esse retrato de Jesus, segundo o padrão de beleza europeu, e chegam a sugerir como seriam seus traços, segundo as fisionomias mais comuns das pessoas, de quem Jesus descendeu.

Inicialmente, não era hábito entre os homens judeus deixar os cabelos crescerem. E Jesus era conhecedor das leis judaicas e as seguia (ao menos, enquanto essas leis não contradiziam as leis de Deus, que se resumem numa única: a lei do amor).

Jesus foi uma pessoa bem simples, de origem pobre, assim como sua família. Seus traços físicos provavelmente deviam ser semelhantes às pessoas da Galiléia, região onde provavelmente deve ter nascido, do ponto de vista puramente histórico.
O nascimento de Jesus em Belém tem pouca historicidade. Por quê? Bom, sabemos que Maria teve de sair de sua cidade, na região da Galiléia, por causa de um recenseamento que o imperador Cesar Augusto ordenou. Ver Lucas 2, 1. Já, de início, não parece crível uma grávida, às vésperas de parir um filho, venha a fazer uma viagem longa numa época em que qualquer transporte seria extremamente precário. Só que o argumento principal vem agora:

Saber com precisão a data de decretos do Império Romano não é das tarefas mais difíceis. Porque eram documentados os atos oficiais do império. São os documentos chamados "anais de Roma". E a história prova que esse recenseamento ocorreu apenas na região da Judéia, região nobre, dentro da qual se situava Jerusalém, e, por isso, local onde se concetravam os judeus mais ricos, como os fariseus e saduceus. Todas as narrativas dos evangelhos que têm alta probabilidade histórica convergem no sentido de que Jesus e sua família viveram na região da Galiléia e não da Judéia. Portanto, o decreto não atingiu a família de Jesus.

 Nesse caso, Lucas teria mentido? Por quê? Bem, não se trata de mentir, até porque quem poderia saber ao certo onde nasceu Jesus, se ele já havia morrido há pelo menos uns 60 anos quando a comunidade de Lucas escreve? Trata-se de cumprir um objetivo teológico.

Como assim? Era preciso convencer a se converterem ao cristianismo os leitores (judeus que estavam em processo de conversão ao cristianismo).

Os evangelistas precisavam dar uma prova de que Jesus era mesmo o messias prometido. Qual foi essa prova? Fazer Jesus nascer em Belém, pois assim estava explicado que Jesus era da dinastia de Davi. Ou seja, era descendente de Davi. Ver Lucas 2, 4.
A comunidade de Lucas, então, se aproveita de um decreto de recenseamento que realmente existiu, mas que era meramente local e o torna universal. É o que se chama de tendência hiperbólica de Lucas. Outro exemplo de tendência hiperbólica está em Ato dos Apóstolos 11, 28 ("fome sobre toda a terra", na verdade, houve sim uma fome calamitosa nos anos de 49 e 50 dC, mas restrita à Grécia e depois à Roma).

Outro dado é que pode ter havido um erro na contagem dos anos, quando a referência para a marcação do tempo passou a ser o nascimento de Jesus (daí falar em antes de Cristo e depois de Cristo). Historiadores acreditam que houve um erro de 3 anos. E portanto Jesus teria nascido cerca de 3 anos antes de quando se acha que ele nasceu, o que leva a concluir que ele teria vivido até os 36 anos.

Fonte Bibliográfica: Bíblia de Jerusalém, editora Paulus.

Sobre os anais de Roma, conferir em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anais_(história)

S
obre o possível erro na contagem dos anos, conferir:
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Gestão Democrática: princípio do projeto político pedagógico
João Crispim Victorio[i]

 
São vários os documentos oficiais que tratam diretamente da educação brasileira, como a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 e o atual Plano Nacional de Educação (2011- 2020), entre outros, não menos importantes. Sendo os dois últimos os que mais diretamente citam as várias ações de organização no espaço escolar, determinantes à elaboração do projeto político pedagógico, entre as ações destacamos a participação de todos os agentes educacionais envolvidos direta e indiretamente no processo educativo, mas, infelizmente, na prática nada disso parece ter sentido, já que os professores estão pouco acostumados à participação coletiva no campo social e político.
Nesse contexto torna-se difícil a compreensão de democracia no ambiente local de trabalho. Nossa forma de participação é limitada pela representação e, a partir daí, está tudo resolvido. Sendo assim, fica prejudicada a gestão democrática do ensino público, já que a mesma é instituída por meio do reconhecimento da função política da educação. Isso se deu frente aos rumos da sociedade na luta pela democratização do país, a partir da Constituição Federal de 1988 e logo após pela LDB de 1996, que introduzem os princípios da democracia, da autonomia e da construção coletiva em um novo tipo de organização da gestão escolar.
Muitas são as pedras no caminho para dificultar a consolidação de uma sociedade de homens e mulheres conscientes de seus direitos e deveres. A educação seria, podemos dizer assim, um caminho para formação de tal sociedade, não fossem os problemas de ordem natural, referente a dinâmica social: o professor é um indivíduo que saí dessa sociedade despolitizada e forma novos indivíduos, consequentemente, despolitizados, numa roda viva; de ordem intervencionista, o realinhamento do Estado brasileiro com as reformas neoliberais, sistematizadas no Consenso de Washington[1], o Banco Mundial assumiu posição expressiva no financiamento da educação básica. Esta nova posição teve como marco a Conferência Mundial sobre Educação para Todos[2], realizada na Tailândia (1990). O compromisso explícito dos países, que participaram do evento, inclusive o Brasil, com a nova agenda do Banco Mundial, confirma‐se com a elaboração do Plano Decenal de Educação (1993‐2003)[3].
O Plano Decenal de Educação, ao mesmo tempo em que consolida os acordos de financiamento, define a agenda de atuação do Banco Mundial, na política educacional, propondo a universalização da Educação Básica associada à valorização do magistério. Para tanto, foi previsto um novo padrão de gestão educacional por meio de um reordenamento que garantisse à escola o fortalecimento da gestão e a ampliação da autonomia como prioritário na política educacional.
Partindo do pressuposto de que a escola precisava se adequar às novas demandas sociais, a política educacional foi sendo redefinida. Nessa expectativa o Plano Decenal é elaborado para ser um instrumento guia na recuperação da educação básica do país e o projeto político pedagógico surge como imprescindível para implementação do PDE. Textualmente ficava claro que toda escola precisava fazer o seu plano e definir metas e compromissos com a comunidade escolar. Neste sentido, a partir da década de 90, a descentralização e a autonomia do espaço escolar, características importantes na construção da gestão democrática, se dão com o objetivo de transferir recursos diretos para os estabelecimentos públicos de Ensino Fundamental e destinava‐se ao “atendimento de necessidades imediatas de manutenção e de projetos de iniciativa da unidade escolar, de modo a fortalecer sua autonomia” (FUNDESCOLA, 2008).
Porém, para Cunha[4]: 
 
(...) O ensino democrático é aquele que, sendo estatal, não está subordinado ao mandonismo de castas burocráticas, nem sujeito às oscilações dos administradores do momento. Tem, isto sim, currículo, condições de ingresso, promoção e certificação, bem como métodos e materiais discutidos amplamente com a sociedade, de modo que os interesses da maioria, em termos pedagógicos, sejam efetivamente respeitados. O ensino democrático é, também, aquele cuja gestão é exercida pelos interessados, seja indiretamente, pela intermediação do Estado (que precisamos fazer democrático), seja diretamente, pelo princípio da representação e da administração colegiada (2009, p. 5-10).
 
Conforme a autora um dos mais importantes princípios da gestão democrática é a autonomia. Mas essa autonomia não pode ser confundida com o individualismo como prega o discurso neoliberal, sugerindo como ideia de democracia a liberdade de iniciativa dos indivíduos. Por outro lado, na perspectiva de uma gestão democrática, a definição de autonomia deve estar fundamentada nos princípios da escola cidadã, de acordo com o que afirma Padilha[5]:
 
A autonomia pressupõe, pois, a alteridade, a participação, a liberdade de expressão, o trabalho coletivo na sala de aula, na sala dos professores, na escola e fora dela. A educação enquanto processo de conscientização (desalienação) tem tudo a ver com a própria autonomia e, como esta, se fundamenta no pluralismo político pedagógico, garante a mudança possível no próprio sistema educacional e nos próprios elementos que o integram (2007, p. 65‐ 66).
 
Nesse modelo de gestão, é imprescindível o trabalho em equipe, uma equipe que tenha algumas competências, como: capacidade de comunicação e expressão oral, habilidades de trabalhar em grupo, capacidade de argumentação, formas criativas de enfrentar problemas e situações difíceis (LIBANEO, 2004, p. 103).
Dessa forma a gestão democrática da escola, princípio para a construção do projeto político pedagógico, implica em refletir sobre as políticas educacionais, isso requer mudanças nas estruturas organizacionais e de paradigmas rumo à construção de uma gestão diferente da que vemos hoje. Esse processo deve ser e é conduzido segundo uma determinada concepção de educação e de sociedade, sendo assim, as escolas precisam ter clareza sobre: Qual a ideia de sociedade na qual está fundamentada? Qual a ideia de escola cidadã? Essa escola está fundamentada na gestão democrática, cujos fundamentos são autonomia, participação e emancipação?
Na perspectiva de gestão democrática, “o poder está no todo e é feito de processos dinâmicos construídos coletivamente, mas não é um espaço desorganizado, sem objetivos, sem estratégias e sem direção”. “Pois a gestão democrática é um processo de coordenação de iguais, não de subordinados, portanto, escolher um diretor é escolher os rumos e a qualidade de processos de gestão da escola” (BORDIGNON & GRACINDO, 2004, p. 148). Nesse contexto, o projeto político pedagógico se apresenta como instrumento de luta e não como uma receita mágica para resolver todos os problemas da escola. A autonomia, apesar de instituída na LDB, deve ultrapassar os limites oficiais e ser construída a partir do PPP. A autonomia da escola, não pode ser encarada como algo herdado ou adquirido, deve ser construída. Não se esgota em decretos, mas avança a partir das aberturas que a legislação apresenta.
Na década de 1990, as propostas de descentralização e autonomia da escola foram postas em ação por meio de políticas públicas e de iniciativas dos acordos entre o Banco Mundial (BIRD) e o governo brasileiro. Nesse contexto tem início as discussões sobre o Plano Nacional da Educação (PNE). Todos esses documentos que regem a educação brasileira (Constituição, LDB, PNE) são resultados de conquistas da sociedade civil organizada, e são referências para a elaboração dos Planos Estaduais e Municipais de Educação. Na relação entre as Leis e o projeto político pedagógico é importante destacar as influências dos dispositivos legais no processo de significação político e pedagógico das escolas.
A gestão democrática do ensino público é instituída por meio do reconhecimento da função política da educação e isso se dá frente aos rumos da sociedade na luta pela democratização do país. A Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada na Tailândia (1990), é o marco da nova posição de realinhamento do Estado brasileiro com as reformas neoliberais. O Banco Mundial assume posição expressiva no financiamento da educação básica. O fortalecimento da gestão e a ampliação da autonomia foram destacados como “direção prioritária” da política educacional.
Como vemos um dos mais importantes princípios da gestão democrática é o da autonomia, que não pode ser confundida com o individualismo, como prega o discurso neoliberal. Na perspectiva de uma gestão democrática, a definição de autonomia deve estar fundamentada nos princípios da escola cidadã. Sendo assim, a gestão democrática da escola, princípio para a construção do projeto político pedagógico, implica em refletir sobre as políticas educacionais, processo que deve ser conduzido segundo uma determinada concepção de educação e de sociedade. Ou seja, a autonomia da escola deve ser construída e o projeto político pedagógico visto como instrumento de luta. 
 
Rio de Janeiro, 13 de junho de 2016.
 




[1] O Consenso de Washington foi um encontro ocorrido na capital dos Estados Unidos, no ano de 1989. Foram convocados, diversos economistas latino-americanos liberais, funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do governo norte-americano. O encontro buscava avaliar as reformas econômicas na América Latina. As conclusões do encontro formam um conjunto de medidas para promover o ajustamento macroeconômico dos países em desenvolvimento.
 
[2] A Conferência realizada na cidade de Jomtien, teve como objetivo estabelecer compromissos mundiais para garantir a todas as pessoas os conhecimentos básicos necessários a uma vida digna, condição insubstituível para o advento de uma sociedade mais humana e mais justa. Participaram das discussões a UNESCO e a UNICEF, com apoio do Banco Mundial e de várias outras organizações intergovernamentais, regionais e organizações não governamentais.
 
[3] Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir, no período de uma década (1993 a 2003), as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1990, pela Unesco, Unicef, PNUD e Banco Mundial. Esse documento é considerado “um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país”.
 
[4] CUNHA, L. A. A Educação na Nova Constituição. Revista da Associação Nacional de Educação – ANDE, Ano 6, nº 12, p. 5-10, 1987.
 
[5] PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político pedagógico. 7ª Ed. São Paulo, 2007.




[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.
 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Momento Poético Vivido na EM Halfeld / Campo Grande-RJ.
 
Conversas Sobre Índios: História em Linguagem Poética.
 
Meus Agradecimentos a Professora Maria Alice
 
 
 












quarta-feira, 8 de junho de 2016

Máquina
Não tem mais domínio sobre ti
Vive somente para o trabalho
Não curte tua casa
Não conversa com tua mulher
Não brinca com teus filhos
Já não mais pensa
Já não mais dorme
Já não mais sorrir...

Não tem mais vontade própria
É explorado vinte quatro horas
Não é mais de músculos
Não tem mais sangue
Não tem mais estrutura óssea
Já não é mais humano
Já não sente mais prazer
Já não é mais você...

Não tem mais vida
Roubaram teu espírito
Máquina agora é o que é...
Poema de João Crispim Victorio.
Extraído do livro: Sobre o Trabalho que Falo...
08 de Junho de 2016.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Grandes Esperanças
Uma das obras mais adaptadas para o cinema e a TV no século XX, Grandes esperanças narra a história de Pip (Philip Pirip), desde sua infância até sua maturidade. Uma vida repleta de reviravoltas, que se descortina a partir de uma herança de um doador anônimo. A trajetória Pip, após negar o próprio passado, é uma constante busca pela redenção. Penúltimo romance publicado em vida, este livro, segundo o escritor John Priestley, “contém o que a pena de Dickens produziu de melhor”.
 
Momento Poético / Espaço Multicultural Assunto
05/06/2016
 
 
 




 
Lançamento do Livro: Sobre o Rio que Falo...
Sindicato dos Professores - SINPRO/RJ 
















 







 











Bíblia: a Escritura Sagrada Inspirada por Deus. João Crispim Victorio – Professor, Especialista em Educação. “Toda Bíblia é comunicação de ...