segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


Por um momento

O poeta está só
Só com seus botões
Com o ar que lhe permite respiração...

Só com seus pensamentos
Com seus devaneios profundos
Sua cabeça gira como gira o mundo...

O poeta está só
Só com as cadeiras frias
Com as dores que lhe remontam a vida...

Só com os papéis
Com a pena movida pelo fetichismo
Finge porque sabe da maldade do capitalismo

O poeta está só
Só com suas dúvidas
Com a solidão que vem das ruas...

Só com as lutas utópicas
Com sua sensibilidade crítica
Habilidades a tão poucos oferecidas...

O poeta está só
Só com sua produção intelectual
Com a busca da palavra final...

Só com suas aflições
Com a necessidade de gente
Querer a sociedade justa é urgente...

O poeta está só
Só por um momento...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...

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