domingo, 4 de março de 2018


Uma homenagem a todas as mulheres


A Todas as Mulheres

A todas as mulheres
Carmelitas, Almerindas
Marias,Conceições
Creusas e Ritas...

Amarelas, brancas
Negras, índias e mestiças...

Gordas, magras
Altas, baixas
Feias e bonitas...

Informadas, alienadas
Estudadas e analfabetas...
Casadas, separadas
Viúvas, amantes e solteiras...

A todas as mulheres
Que se viram nas noites
Que batalham os dias...

Que fazem história
Que geram vidas
Que somam vitórias...

Que vão à luta
Que descobrem o medo
Que ignoram preconceitos...

Que assumem seus desejos
Que têm coragem...

A todas essas mulheres
A honra, o reconhecimento
A flor da homenagem...


Mulher

Insubstituível
Incomparável
Melhor...

Busca masculina da perfeição divina
Origem de tudo
Essência da vida...

A natureza produz teu nome
Rosa, Hortênsia, Margarida...

Luz
Perseverança
Conquistadora

Lindas
Perfeitas
Posso vê-las...

Nas areias das praias
Nos becos das favelas...

Brancas
Negras
Morenas...

Desfilando na avenida
Na minha esquina...




Rotina

Acorda bem cedo a menina
No silêncio se arruma
Plena melancolia
Diante do pequeno espelho
Profunda respiração
No rosto um pouco de rouge
Nos lábios o batom...

Segue seu reto destino
Sem o Norte e sem Sul
Animal no corredor da morte
Anda despertando sentidos
Avarentos homens no cio...

Sobe a mesma passarela
Parecem infinitos os degraus
Embarca no trem lotado
Sem igual...

Baixada direto à central
Rio, cidade maravilhosa
Vida dura de trabalho
Ganha um misero salário
Isso a deixa orgulhosa...

Acorda bem cedo a menina
No silêncio começa sua rotina
Repete cada gesto
Faz tudo de novo
Uma agonia...

Agora é espelho
O fruto está no seu ventre
No corredor da morte

Sorte lançada ao vento...



Guerreira

Ela desceu o morro
Não temeu a cidade
Conquistou seu espaço
Com dignidade...

Negro não mais se curva!

Negro não mais se cala!

Mão firme ergueu o estandarte
Mostrou sua rebeldia
Opressora sociedade...

Mulher não mais se curva!

Mulher não mais se cala!

Guerreira apaixonada
Voz dos oprimidos
Vez dos marginalizados...

Negro não mais se curva!

Mulher não mais se cala!




Seu Nome

Diga seu nome
Fale alto em bom tom
Todos devem ouvir...

Não tenha medo
Mostre sua cara
Seu corpo frágil...

Frágil porque é humano
Tem valor porque está vestido...

Fale alto em bom tom
Não tenha vergonha
Outras vão lhe seguir...

Trabalho digno
Igualdade salarial
Respeito irrestrito...

Mostre suas mãos calejadas
Todo seu brilho...

Fale alto em bom tom
Na sala de aula ou de cirurgia
Na direção de empresa ou de caminhão...

Sou forte e competente
Mulher como outra qualquer
Dona de casa e presidente...

Dê seu recado
Maria que era anônima...

Ser fútil é o maior dos pecados...
  


Diolinda

Como pode ser
Mulher franzina
Estatura mediana
Incomodar tanto o poder...

Ouvindo-a compreendi
Na força da voz
Na determinação
Na coragem com que falava
Quanta sabedoria!

Vi fluir livremente
A áurea do corpo
Um brilho nos olhos
Da boca um som mágico
Ecoava por toda sala
Penetrava em meus ouvidos...

Meu Deus!
Linda guerreira
Trouxe esperança
Ressuscitou o ânimo dos adormecidos
Como eu...


Poesias de João Crispim Victorio

Livros: Sobre o Trabalho que Falo... (2013)
        Sobre o Rio que Falo... (2015)
        Sobre Nós que Falo... (2017)


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