sexta-feira, 8 de julho de 2016


Sina Nordestina
      I
Nasce o menino
Destino sofredor
Cresce desnutrido
Retraído, vida de labor...
Andar léguas tiranas
Passar fome, fugir da seca, da morte
Faz parte da sua infância...
Analfabeto
Sem profissão
Trabalha a terra
Mas não tem terra!
Decepar cana é a solução
O que resta é o pau-de-arara
Realizar o sonho
Migrar para cidade grande
Trabalhar e enricá...
Quem sabe um dia à terra natal voltar...
         II
Chega à cidade grande
Fugindo da seca e do abandono
Vem tentar a sorte
Concretizar seu único sonho
Mudar seu destino por meio de um emprego
- Quem sabe!
Num duro golpe sofre a primeira decepção
Discriminado pelo jeito como fala
Trabalho, só de pião nas construções
Morar, só na favela...
O respeitado cidadão – Segundo a Constituição!
É apenas mais um na fila de espera
Enche o mercado de trabalho e o bolso do patrão
Estatística crescente do desemprego e da violência...
Vítima da solidão
Lembra a mulher amada
Do lugar onde morava
São noites e dias de saudades
Uma dose de cachaça para suportar...
- Mais uma, por favor!
Por alguns momentos vem ao pensamento
As tradições de sua gente
As lágrimas logo enchem os olhos
Dá vontade de chorar...
No peito o medo
A dor...
Consequência da fraqueza
Diante da sina imposta
E da incerteza de um dia poder voltar...
Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...
08 de julho de 2016.

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