segunda-feira, 7 de maio de 2018


A mesma história

O menino sai de casa
Quando vai alta madrugada
Corre atrás de um emprego
Não é o último, nem o primeiro
Espera o trem na estação
Aprendeu desde cedo está lição
Perde os sonhos na realidade
Infância extirpada à metade...

Acabou-se a brincadeira
Vai trabalhar numa caldeira
Magro corpo esmirrado
É só mais um pobre coitado...

O menino volta a casa
Quando o sol se foi na longa estrada
No semblante o ar tristonho
Feito toda aquela gente grande
Fim de mais um dia de trabalho
Glória esperada por todo operário
O chão da fábrica é sua prisão
Símbolo forte da malvada opressão...

Tiraram-lhe os livros
Os seus passos não são mais livres
O menino transformou-se num rapaz
Seu sorriso pouco a pouco foi ficando para trás...

Na ilusão de ser um homem de verdade
Cresce na expectativa da tal oportunidade
Não entende os motivos de tantas desgraças
Por conta disso toma mais um gole de cachaça
Mas parece ser sempre a mesma história
Sente agora falta da sua velha escola
Nesses momentos tem um aperto no coração
Segura suas lágrimas porque homem não chora não...


Poema de João Crispim Victorio
Livro: Sobre o Trabalho que Falo... (2013)

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