quinta-feira, 16 de junho de 2016

Muitos estudiosos refutam esse retrato de Jesus, segundo o padrão de beleza europeu, e chegam a sugerir como seriam seus traços, segundo as fisionomias mais comuns das pessoas, de quem Jesus descendeu.

Inicialmente, não era hábito entre os homens judeus deixar os cabelos crescerem. E Jesus era conhecedor das leis judaicas e as seguia (ao menos, enquanto essas leis não contradiziam as leis de Deus, que se resumem numa única: a lei do amor).

Jesus foi uma pessoa bem simples, de origem pobre, assim como sua família. Seus traços físicos provavelmente deviam ser semelhantes às pessoas da Galiléia, região onde provavelmente deve ter nascido, do ponto de vista puramente histórico.
O nascimento de Jesus em Belém tem pouca historicidade. Por quê? Bom, sabemos que Maria teve de sair de sua cidade, na região da Galiléia, por causa de um recenseamento que o imperador Cesar Augusto ordenou. Ver Lucas 2, 1. Já, de início, não parece crível uma grávida, às vésperas de parir um filho, venha a fazer uma viagem longa numa época em que qualquer transporte seria extremamente precário. Só que o argumento principal vem agora:

Saber com precisão a data de decretos do Império Romano não é das tarefas mais difíceis. Porque eram documentados os atos oficiais do império. São os documentos chamados "anais de Roma". E a história prova que esse recenseamento ocorreu apenas na região da Judéia, região nobre, dentro da qual se situava Jerusalém, e, por isso, local onde se concetravam os judeus mais ricos, como os fariseus e saduceus. Todas as narrativas dos evangelhos que têm alta probabilidade histórica convergem no sentido de que Jesus e sua família viveram na região da Galiléia e não da Judéia. Portanto, o decreto não atingiu a família de Jesus.

 Nesse caso, Lucas teria mentido? Por quê? Bem, não se trata de mentir, até porque quem poderia saber ao certo onde nasceu Jesus, se ele já havia morrido há pelo menos uns 60 anos quando a comunidade de Lucas escreve? Trata-se de cumprir um objetivo teológico.

Como assim? Era preciso convencer a se converterem ao cristianismo os leitores (judeus que estavam em processo de conversão ao cristianismo).

Os evangelistas precisavam dar uma prova de que Jesus era mesmo o messias prometido. Qual foi essa prova? Fazer Jesus nascer em Belém, pois assim estava explicado que Jesus era da dinastia de Davi. Ou seja, era descendente de Davi. Ver Lucas 2, 4.
A comunidade de Lucas, então, se aproveita de um decreto de recenseamento que realmente existiu, mas que era meramente local e o torna universal. É o que se chama de tendência hiperbólica de Lucas. Outro exemplo de tendência hiperbólica está em Ato dos Apóstolos 11, 28 ("fome sobre toda a terra", na verdade, houve sim uma fome calamitosa nos anos de 49 e 50 dC, mas restrita à Grécia e depois à Roma).

Outro dado é que pode ter havido um erro na contagem dos anos, quando a referência para a marcação do tempo passou a ser o nascimento de Jesus (daí falar em antes de Cristo e depois de Cristo). Historiadores acreditam que houve um erro de 3 anos. E portanto Jesus teria nascido cerca de 3 anos antes de quando se acha que ele nasceu, o que leva a concluir que ele teria vivido até os 36 anos.

Fonte Bibliográfica: Bíblia de Jerusalém, editora Paulus.

Sobre os anais de Roma, conferir em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anais_(história)

S
obre o possível erro na contagem dos anos, conferir:
 
 
 
 
 
 
 

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